Escrita por Natália Guerra
Ilustração de Natan Guerra
Publicado originalmente no blog A Cabana do Major.
Lá estava Lúcia. Não importava o tempo que passasse, ela nunca mudaria. Estava observando as estrelas, sentada em uma colina, ao lado do Sr. Digory. As estrelas da verdadeira Nárnia eram ainda mais fascinantes que as da antiga. “Não parecem estrelas,” pensou. “Parecem os olhos das crianças, refletem serenidade.”
Então observou seu velho amigo, Sr. Digory. Ele também não mudara nada. Exceto na forma de tratamento. Agora que estavam na verdadeira Nárnia, não existiam professores ou mestres, ou qualquer outro título. Ninguém precisava aprender com outras pessoas, porque o próprio Aslam lhes ensinava tudo que quisessem.
Lúcia se lembrou de uma pergunta, que há muito tempo queria fazer ao amigo. E quebrou o silêncio.
- Sr. Digory, - fez uma breve pausa; como é que o senhor, que desde criança sempre conheceu o Bosque entre Dois Mundos, nunca se interessou em visitar outros lugares?
- O senhor não teve mais notícias daquele mundo?
- Tudo que sabia. Mas queria voltar logo para cá, então escrevi o mais depressa que pude. Agora vejo que poderia ter contado ainda mais. E de nada adiantou minha ansiedade, pois Aslam esperou até meu último dia como Clive para que me trouxesse de volta. Quando Aslam viu meu arrependimento por não ter escrito mais detalhes, Ele me disse que aquilo era o suficiente. E me consolou, prometendo que ainda décadas após minha partida, as crianças leriam minhas crônicas.
Conto feito no fim do ano passado, numa tentativa de fazer uma homenagem a C. S Lewis, autor de As Crônicas de Nárnia, no aniversário de 110 anos de seu nascimento.




0 comentários:
Postar um comentário